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wanderer

  I am a bird with a tiny soul, sensing nature with my heart. Since immemorial times, I’ve been ascending  Gliding above the beautiful ocean of trees, a work of art. One more day has come. I see birds in the summer sky receiving the warmth of the sun. My fellow flyers are colorful, all shades coming together as one. Sweet task, Planting the seeds, flowers growing. Dispersing the life on the ground all around me, going far beyond my small existence. Farther than watching eyes can see. I wander and wonder flying everywhere. New parks and towns, eyes looking forward to different places,  I am observed by the smiling crowds. A precious moment happens,  gliding among the trees as the rain goes away. Flying over the water, my reflection surprises me. A brand new day.

all ma

  os distúrbios da alma confundem a certeza de que o incerto existe. a verdade que constrange revela todo um mundo de sentimentos que insiste. é imutável a certeza de mudança, semelhante a uma engrenagem em movimento. serpentina que dança e arrisca tocar o chão, rodeando uma dose de veneno. (cores pastéis que enfeitam uma casa, absorvem o sol, a lua e a noite. o que persiste em  aparências  enganosas, dentro dos quartos, nas paredes, mofo.)

miliseconds

  light switch  anxiety that grows restless battle against my own self what's hidden behind it? at the darkest hour spiraling high up the thoughts of the truth in silence world of wonder and joy minimal rest that obliges to taste it perception deluded in vain liquid deceiving material now I marry the night that lays bare in the sun. Surprised by the colors of each second past my bedtime.  Post room, post me, post everything. now I wonder, was I here?

Antonio Carlos Ferreira de Melo

lembro de quando você capinava o quintal ao som de Gilberto Gil.  quando ouvia Cazuza, e dizia que ele “escandalizou”. eu lembro lembro que você me ensinou a gostar de ler, sem usar ao menos uma palavra. eu ainda não sabia que a leitura me salvaria  tantas e tantas vezes. lembro que conheci poesia através de você, que adorava recitar seus versos e suas canções. e acredito que eu ame a arte porque você amava a arte. lembro que o amor às palavras veio de dentro de você pra mim, assim como a sua cor, seu nariz e seus olhos. lembro também que tivemos dias tempestuosos, quando eu queria falar mais alto, imaturidade da juventude. lembro das praias que fomos, de momentos bons do passado e do quanto eu achava você inteligente. lembro agora da sua assinatura, das suas piadas sem graça, do quanto você gostava de cantar, da forma como você olhava com orgulho pra todos nós filhos, da sua timidez, dos dias de alegrias entre você e minha mãe e lembro do toque no meu pé quando saía pra traba...

pontos

  os tecidos da vida se conectam ao concreto que por vezes incerto, se faz solidário ao externo mudando o aparente mais uma vez o aspecto agora mudado externa, a ligação com o que somos mas que balança ao menor vento de dúvida  a incerteza traz pensamentos que agem contra a realidade do que somos estabelecendo assim uma constante imposição  de como devemos ser o ser precisa se ligar ao mundo externo, usando o que é  como pilar sendo assim os ventos de incerteza irão pairar mas a certeza de consciência supera a tudo

z

  o brilho dos seus olhos são de paz  lá dentro da alma de cores esquecidas no fundo de um lago sua alma é solar e sente mais se espalha por entre as ondas e se suspende no ar quente da praia seu sorriso é belíssimo e provoca alegria no meu coração  que tanto te vê e te olha seu amor é do jeito que é com todas as variações e coisas inesperadas da forma exata do seu coração 

Animal de estimação

  dos animais não se sabe nada. do focinho, dos olhos, do pelo cada fração de grunhidos, de apelo se sabe pouco ou quase nada. agora do coração, e um caso à parte os desencontros, feridas, desilusões e culpa, tudo se desprende de um arco e acerta como flecha a nuca. da alma se perde um pouco mais quando o assunto, a frieza, a incompreensão e o fardo todos eles unindo em uníssono soam como melodia cantada pelo bardo. amanhã o tempo se abre e os sons, as conversas e as cicatrizes somando-se ao bolo de coisas do agora carrega suas malas de mudança para, do olho, as raízes.