Animal de estimação
dos animais não se sabe nada.
do focinho, dos olhos, do pelo
cada fração de grunhidos, de apelo
se sabe pouco ou quase nada.
agora do coração, e um caso à parte
os desencontros, feridas, desilusões e culpa,
tudo se desprende de um arco
e acerta como flecha a nuca.
da alma se perde um pouco mais
quando o assunto, a frieza, a incompreensão e o fardo
todos eles unindo em uníssono
soam como melodia cantada pelo bardo.
amanhã o tempo se abre
e os sons, as conversas e as cicatrizes
somando-se ao bolo de coisas do agora
carrega suas malas de mudança para, do olho, as raízes.
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