Postagens

Mostrando postagens de setembro, 2020

tarde

Muita gente que sofre, Nessa massa que se move. Se revolve, dissolve, distorce, Muda, conforma, aceita, Espera, responde, oculta, Evita, ganha e rejeita. De nada adianta rejeitar o remédio, Que de bom não tem nada, Só mata o tédio. Depois volta tudo ao normal, Como se nada tivesse acontecido. Rotina baixo astral depois do dia corrido. Mais uma vez essa gente sofre, E a massa quase explode. De angústia, incerteza, desespero, Ignorância, desesperança, despreparo, Depressão, ansiedade, medo, Fraqueza, dureza e desamparo. O choro é livre, E assim sempre foi ao desamparado. Nas ruas sujas ou na sujeira da casa, Sempre foi fácil ser mal amado. Parece que corre pra afogar as tristezas, Na verdade se cansou de todas as belezas. Mais uma vez essa gente morre, É ninguém há que se importe.

companhia

Eu queria ser amigo da chuva. Amigo que sabe das dores, Compartilha lembranças. Sempre sabendo do outro, No aniversário mandando flores. Queria poder ligar para ela, Ouvir o som do seu chiado. Mesmo que fosse apenas estática,  Isso me faria sentir amado. As conversas seriam úmidas, Os abraços seriam aguados. Mas a esperança com certeza inunda, A sensação de liberdade que se torna um achado. Talvez pudéssemos andar juntos, Sua força se estendendo sobre mim e sobre tudo. Vendo as flores felizes pelos cantos, Um momento inteiro como em um filme mudo. No verão sairíamos felizes, Com força total, expressando energia. Abrindo os braços, correndo e brincando. Mudando a forma com que vemos a vida. Mas ser amigo dela deve ter seus pontos baixos. Quando ela vai, é de uma hora pra outra. Nunca avisa de antemão, Só desaparece, uma total louca. Ela é feliz porque não precisa ficar. Indo embora de forma veloz. Nos cativa com seu som e a falta de luar, Ensinando a parar, a ouvir e a amar. Queria ...

como sair?

  Essa imagem na verdade não existe, Sempre foi um surto coletivo. Aquilo que se acredita, perde o sentido. Tudo não passa de um esforço inútil. Esperando ser exposto aos olhos de todos, Como uma ferida que exala um cheiro insuportável.   A verdade inegável é que a solidão é mais sólida, sempre foi. Procurando validação em mentes vazias, Espelhando o seu rosto frio no reflexo da pia.   Olhos que enxergam os que é belo,  E não conseguem ver nada além disso.  Deturpando o que é possível e crível. Parece que todos sofremos por causa de um feitiço.   Ser percebido como sucedido, A pressão é gigante. Não há caminho alternativo pra quem quer apenas ser vivo? Como sair do mundo sem que o mundo te jogue pra fora? Como fazer do seu caminho parte real da sua história?   O desalento é verdadeiro e tátil, Desesperança é a palavra do momento. Caminhos interrompidos por traços virtuais, Relações que acabam em sofrimento.   Suba, eleve-se, tente não ceder. Faça,...