companhia
Eu queria ser amigo da chuva.
Amigo que sabe das dores,
Compartilha lembranças.
Sempre sabendo do outro,
No aniversário mandando flores.
Queria poder ligar para ela,
Ouvir o som do seu chiado.
Mesmo que fosse apenas estática,
Isso me faria sentir amado.
As conversas seriam úmidas,
Os abraços seriam aguados.
Mas a esperança com certeza inunda,
A sensação de liberdade que se torna um achado.
Talvez pudéssemos andar juntos,
Sua força se estendendo sobre mim e sobre tudo.
Vendo as flores felizes pelos cantos,
Um momento inteiro como em um filme mudo.
No verão sairíamos felizes,
Com força total, expressando energia.
Abrindo os braços, correndo e brincando.
Mudando a forma com que vemos a vida.
Mas ser amigo dela deve ter seus pontos baixos.
Quando ela vai, é de uma hora pra outra.
Nunca avisa de antemão,
Só desaparece, uma total louca.
Ela é feliz porque não precisa ficar.
Indo embora de forma veloz.
Nos cativa com seu som e a falta de luar,
Ensinando a parar, a ouvir e a amar.
Queria mesmo que ela fosse minha amiga,
Só assim eu também soaria intenso.
Alcançando toda parte, cobrindo tudo,
Finalmente um número por extenso.
Agora vou dormir, desejando que ela fique,
Mas que continue a me fazer companhia.
Se eu enviasse esses versos muito acima,
Será que chegavam, para minha alegria?
Eu quero ser amigo da chuva.
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