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Mostrando postagens de dezembro, 2020

limões

Eu sento a beira de um precipício Olho para baixo, tudo escuro Me encontro sozinho mais uma vez Desesperança em modo noturno Espero deitado os sons diluirem Tornando-se soltos, sem aglomeração Barulhos, zumbidos, imagens que confundem Resultados de extremos de agitação Me saio por fora do escuro particular Adentro o ar livre também de sombras Os passos incertos movendo lentamente Astutos avisos que vêm em ondas Estico meus braços procuro por eles Não vejo porém suas formas então Me aproximo do ser que faz a obra viva Esqueço do pingos que caem sobre as mãos Meu rosto sereno com olhos cegos No breu da noite não sabe enxergar O tato tão útil sentido supremo Me faz ao objetivo finalmente chegar Destaco da matriz duas crias pequenas Ainda mui duras de pouco conteúdo A água se espalha por cima de mim Que bom que seria saber o futuro Molhado me retiro e caminho até a luz Atravesso as grades e os entrego a ela Obrigado ela diz, com semblante estático Bela noite profunda, pintura em tela

memórias

Eu lembro de tudo. Os momentos de incerteza, os rostos que vão e voltam, absolutamente tudo. Não sei se estou parado ou se me novo lentamente, não dá pra saber com certeza. Cada segundo seguindo lentamente e trazendo lembranças de outros tempos. Porque eu lembro de tudo. A chuva que derrubou a goiabeira, o dia em que ficamos ilhados, minha cachorra correndo no campo... tantas outras coisa eu sei, todas elas são quem eu sou? Ainda lembro de tudo. A palmada certeira, o choro sozinho, o amor não correspondido. Seria melhor se eu não tivesse passado por isso? Mas eu lembro. Das cores dos pássaros, do movimento do mar, do som do clarinete, da luz do luar... Eu não sei tudo, mas eu lembro. Eu lembro. Mas quem sou eu?