limões

Eu sento a beira de um precipício
Olho para baixo, tudo escuro
Me encontro sozinho mais uma vez
Desesperança em modo noturno

Espero deitado os sons diluirem
Tornando-se soltos, sem aglomeração
Barulhos, zumbidos, imagens que confundem
Resultados de extremos de agitação

Me saio por fora do escuro particular
Adentro o ar livre também de sombras
Os passos incertos movendo lentamente
Astutos avisos que vêm em ondas

Estico meus braços procuro por eles
Não vejo porém suas formas então
Me aproximo do ser que faz a obra viva
Esqueço do pingos que caem sobre as mãos

Meu rosto sereno com olhos cegos
No breu da noite não sabe enxergar
O tato tão útil sentido supremo
Me faz ao objetivo finalmente chegar

Destaco da matriz duas crias pequenas
Ainda mui duras de pouco conteúdo
A água se espalha por cima de mim
Que bom que seria saber o futuro

Molhado me retiro e caminho até a luz
Atravesso as grades e os entrego a ela
Obrigado ela diz, com semblante estático
Bela noite profunda, pintura em tela


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