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alone

  como um corte que passa por entre   feltro, corta as linhas incertas do pensamento irregular como o pensamento  da alma que não existe mas carrega  tudo em um instante a cor muda em uma tentativa vã de colorir o mundo  de outra cor que não a dos retalhos tortos esquecidos no fundo de um baú  outras coisas surgem e nenhuma delas é parte da superfície  mas reside no profundo e queima com amargor  o  Tempo todo no fim os pensamentos fluem  alcançando a tudo com suas garras sujas trazendo um tom absurdo ao que existe mesmo que não aconteça em nenhum lugar senão  dentro  do coração 

molhado

 eu quero ir para casa lugar esse que eu não reconheceria mais casa em mim? ou em outro alguém? os cômodos vazios dizem que ninguém mais habita ali eu gostaria de saber onde é  apesar de eu sentir que mesmo dentro dela não veria as portas, janelas, ou fotografias na parede eu olharia pela janela e meu olhar, inquieto  dedicaria total atenção ao temporal que se aproxima

o tempo que eu tenho

“pode me dizer que horas tem?” eu me pergunto o mesmo quando olho o relógio  e já vejo que faltam alguns minutos para mais um dia “são 7:12” falo com entonação clara na voz e percebo que para ele não faz tanta diferença  talvez o tempo em suas brincadeiras  crie espaços, lugares que no final só existem dentro das nossas memórias 

rua

 o plástico preto encobre o rosto mas as pernas também o corpo imóvel parece morto mas não está morte em vida, é o que eles dizem porém não se importam o plástico preto sufoca a vida

struggle

 the thread that once was strong  now barely resists to the tension drifting through the  wind holding on to  nothing  in the past it was  simple. not anymore. now it is a weak,  confused, insecure, and unreliable connection to the heart.

anatomia

 vias tortuosas, limpas verde brilhante, viçoso  asfalto quente subindo brisa o ar esquentando, agradável  o possível vazio a luz do céu, plena o que vai acontecer? os sons em torno, calmantes  pensamentos correndo  beleza á frente, bela vista preciso escolher e ser (ou seja, não sou) sensação do sol, aquecendo sentimento enevoado obscurecendo o brilho o reflexo da luz, pontos incandescentes  luminosidade intensa demais corpo incômodo, membros fortes recuar e levantar para subir por sobre o nível à frente se soltar e despejar-se  em águas  vermelhas

the end of something

 swarm swirling  clatter rattling  deafening buzz sonic disturbance torturing sound sensitive burst painful noise siren sounding endless curse loud voices ephemeral attention  can't be heard silent bleeding mouth shut it all hurts hidden place same mistakes the end of us

revelação

 essa sexta eu pensei em muita coisa pensei em mim em um lugar diferente em coisas que não podem ser mudadas pensei mais do que queria vivi momentos em mentes que não são a minha sorri para alguém olhei para frente me aceitei como um estranho em mim mesmo apesar disso tudo eu voltei e a minha volta todas as coisas fazem mais sentido agora que eu posso olhar para o lado a aceitar a ausência eu sei as coisas que eu sei e que eu sinto sempre estarão aqui sendo parte de mim

pedra

 como uma pedra preciosa embalada em um tecido sujo o coração descansa em um leito de águas paradas e esquecidas mas a pedra é preciosa demais e resiste aos tempos e estações  se firmando em rochas profundas retirando forças do solo morto o musgo aparece na superfície  bloqueia os raios de sol humidade contínua da alma cárcere eterno em chão pobre o corpo maciço da pedra  contem histórias e angústias marcas e formatos distintos  irregularidades causadas pela vida contudo o valor é inestimável  mas a pedra não se reconhece como valiosa um dia já basta, um momento e por uns instantes vê a glória do seu brilho as nuvens porém não cessam deixaram os céus e agora turvam  o entendimento confuso ofusca a pedra bruta tempestade habitando uma mente preciosa mas as mãos vão de encontro ao tesouro retiram o pano e limpam  usam o olhar como efeito lapidador libertam a beleza que era invisível  a jóia mais rara agora existe novamente  mas só pelo olh...

saulo

  Os ramos da vida que seguem ali Nunca mais se ouviram  Estão quietos, debaixo da poeira do tempo Pensando nas coisas que partiram Estáticos e vendo o correr dos dias Crianças tiveram filhos Lugares sumiram para dar lugar a tudo E dentro dos ramos, somente os sinos Barulho distante de lembranças brincadas Bolas, risos, suor e euforia Bicicletas arranhadas Na esquina, perto do campo, ao lado da padaria Os ramos viram muita coisa  Viu dois Que remavam juntos, sempre pensando Iam comprar pão às vezes, o olhar sempre sereno Era uma amizade  Mas os ramos eram capazes de sentir outra coisa O amor entre os dois,  Isso era claro. Os ramos viam que para um, com certeza, aquilo era lugar de segurança, de verdade. E isso foi o motivo para se alegrar durante muitos anos. Os ramos sempre vão se lembrar, e é baseado nos brotos deles que minha felicidade persiste até hoje, sempre se renovando e encontrando novos caminhos expostos ao sol da vida. Obrigado

você

  você não precisa se encontrar os meios pelos quais você faz isso estão aí  seu sorriso e seu jeito de andar tudo em você te conhece basta você olhar abrir os olhos da mente e fechar os ruídos do que te prende em uma realidade, que não é sua sua ideia de você  desnuda, criando ilusões desvencilhar-se disso, necessário  não se perca, vista-se de paz e se torne, cada vez mais  você 

pessoas

eu olho pro outro, mas não o vejo recuso o olhar, a mão não percebo baseio-me em verdades que são minhas endereçando ao conhecimento pensamentos, nunca ações  me sinto especial porque carrego saberes diversos e até mesmo penso, possuo o segredo do universo mas não olho pro lado quando um corpo, cansado olha em volta, procurando resposta o meu silêncio me recorta como ignorante porque eu não sei mas o que dói, é que no fim, isso eu já percebi  falta eu descer para olhar o que importa são as pessoas

8 16 26

noite quente que me encontra traz a chuva e o clima melhora os pingos d’água caindo em meus cabelos sensação de cansaço e amor no coração  verão que compreende um novo tentar ano que vai se seguir, novos começos  apreciando as cores da noite, sigo observando cada aspecto de mim a vida tem sido mais certeira ou eu tenho sido mais eu? talvez isso não seja respondido nunca mas não é disso que a felicidade é feita eu sinto as cores agora dentro de mim indo e vindo a todo momento me reconciliando mais e mais recebendo o amor que eu mereço