pedra

 como uma pedra preciosa

embalada em um tecido sujo

o coração descansa em um leito

de águas paradas e esquecidas


mas a pedra é preciosa demais

e resiste aos tempos e estações 

se firmando em rochas profundas

retirando forças do solo morto


o musgo aparece na superfície 

bloqueia os raios de sol

humidade contínua da alma

cárcere eterno em chão pobre


o corpo maciço da pedra 

contem histórias e angústias

marcas e formatos distintos 

irregularidades causadas pela vida


contudo o valor é inestimável 

mas a pedra não se reconhece como valiosa

um dia já basta, um momento

e por uns instantes vê a glória do seu brilho


as nuvens porém não cessam

deixaram os céus e agora turvam 

o entendimento confuso ofusca a pedra bruta

tempestade habitando uma mente preciosa


mas as mãos vão de encontro ao tesouro

retiram o pano e limpam 

usam o olhar como efeito lapidador

libertam a beleza que era invisível 


a jóia mais rara agora existe novamente 

mas só pelo olhar do outro

os pedaços que ela enxerga ainda são aqueles

encobertos e sujos, escondidos pelos musgos



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