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Mostrando postagens de 2018

Poeira do meio dia

                                                                        Seu Rangel acordou mal humorado, como sempre. Desde o seu aniversário de 77 anos em julho, ele havia percebido que seu genro só aparecia em casa pra pedir dinheiro e isso, obviamente, o incomodava. Cada dia mais certo de sua condição de um velho imprestavel, nosso querido senhor Rangel não resistia e reclamava de tudo que via ou do que ouvia. Mas era um reclamação interna, ele não externalizava absolutamente nada. Era terça-feira, oito da manhã, 13 de janeiro. O calor já se fazia presente em todos os cômodos da casa e Dona Arlete já estava nos fundos da casa aguando as mudas de suculentas que comprara com o rapaz das plantas. Seu Rangel simplesmente detestava a mania da sua esposa em comprar todo tipo de coisa na porta de casa, ele...

Pés disformes.

Chego em casa e coloco os sapatos sobre o piso frio. O momento em que os coloco, não percebo, mas logo depois ao cruzar por eles eu vejo algo intrigante. “Esses pés são meus?”, “parecem menores do que eu imagino”...esses pensamentos surgem quase que instantaneamente.  Talvez a forma com que piso os molde dessa forma. Talvez os passos que dou sejam mais firmes quando estou andando devagar. “Porque será que corro tanto?”. Essa pergunta também surgia. Aliás, eu corro bastante.  Esses pés ali, parados, me fazem lembrar do cansaço do dia. A pressão, a vontade de chegar, a ansiedade, o suor nos pés; tudo se resume ao quanto andei e quanto fiz. Espero que no final de todos os passos, talvez eu tenha ido pelos caminhos certos e acertado os pés na direção mais favorável.

As famílias de Laura

          Era o 25 aniversário de Laura. Ela não tinha muito o que comemorar, já que ainda estava tentando arranjar um emprego e seu trabalho principal ainda era quase que um bico. Muitas incertezas eram frequentes em seus pensamentos. Desde que saiu da faculdade, Laura se sentia perdida e desestimulada pelas coisas que aconteceram. O choque de descobrir que o seu pai tinha uma outra familia, foi duro. Contudo, o mais difícil deve ter ter sido perceber o quanto sua mãe se tornou uma pessoa amargurada e deprimida. A sensação de impotência em relação a isso fazia com que Laura se sentisse triste e ao mesmo tempo confusa. Laura namorava com Rodrigo fazia dois anos. Eles eram um casal feliz, mas faltava algo para ela, faltava um sentimento que talvez ela nem sabia o que era, pelo fato de ainda não ter sentido. Laura queria algo mais, definitivamente. Rodrigo tinha a mesma idade que ela e já tinha uma certa estabilidade no trabalho e parecia bem satisfeito co...