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Mostrando postagens de dezembro, 2019

Devaneio

No momento em que Lúcia percebeu que aquilo tudo iria se repetir mais uma vez, ela desistiu de tentar entender o motivo. Marcos não queria ajuda, não da forma como ela pensava que ele queria. O comportamento autodestrutivo agora fazia sentido, o que não fazia com que as coisas fossem mais fáceis, de forma alguma. Lúcia decidiu não contar para ninguém sobre o que havia acontecido na última sexta-feira pois ainda sentia amor pelo seu marido. Amor esse que ela pensava agora não ser algo saudável e nem mesmo poderia ser chamado assim; talvez dependência seria a palavra certa. Só que infelizmente foi essa a forma com que Lúcia conseguiu lidar com a perda do filho do casal. A norte de uma criança não traz sentimentos bons de forma alguma. É como se uma promessa muito importante tivesse sido feita, e não sendo cumprida, ainda deixasse um grande "e se" pairando no ar. Outro motivo para Lúcia não querer denunciar o seu marido por agressão, se baseou na ameaça clara que ele fez a ela. ...

Vívido

Imagem
De um momento tão quente algo útil pode sair. Olhando o entorno, sem palavras, tudo pôde ser visto, assim sem filtro.  Uma vez mais, de outra forma, uma forma totalmente nova em sua maneira. Sem pressa e sem pressão, cada detalhe se fez real mesmo sendo tão igual a todos os outros. Talvez fosse mais fácil não perceber, mas tudo estava ali, na minha frente, se apresentando de forma clara e vívida.

Vermelho

Cubra em vermelho, Para que possa deixar bem claro que está ali. Mas só você saberá. Faça todos acreditarem Que aquela é uma cor escolhida ao acaso; Sem muito pensar. Siga sem perceber o que realmente se esconde. Não pense em jamais abrir o que está ali. Continue tentando fazer parecer, Que o que não se vê não tem nada a ver com o que está por vir. Olhe atentamente para o que se esconde. Mentalize o desejo disso tudo sumir. Olhe incerto ao que está para longe;  Faça a audiência começar se iludir. Suba ao ponto mais alto a procura de cores; Invente momentos que não existem lá embaixo;  Encontre motivos para suplantar o implante; Mas cubra em vermelho, é melhor pra você.

Escuro

No escuro o barulho mecânico  Se assemelha ao vento forçado  As bordas emitem caminhos externos Madrugadas repletas de limitações de concreto Sons emitidos por bichos noturnos Que vivem em canto dormindo no sol Escuro que limita visão serpentina  Consiste em não ver e assim mesmo ser O calor e o escuro se firmam presentes  A manhã já vai chegar à despeito da vontade Dizer que o escuro é um ponto opressor Demonstra desconhecimento de quanto ele nos sabe.

Dois

Canção Como uma música bem cantada em ritmo perfeito Os tons em verde, azul e laranja, tudo lindo O amor que expressa é através das notas, Que relevam a dor e a sensação de calor. O sentimento se extravasa através do que é ouvido Ritmando perfeitamente a harmonia do que se sente Simplesmente alcançando o cerne do que é tangível  A melodia embala e se faz presente, sendo resultado de tudo em um só  Momento. Súbito De súbito eu não percebo o que isso pode ser, mas na verdade a dor se faz presente de uma forma muito subtil. Ela se espalha sem se apresentar de forma clara, o que a faz ser mais reservada e precisa. Tem dias que grita e outros fica em silêncio, porém sempre no mesmo lugar. Estagnada. Na verdade, agora parece que faz parte de mim e não sei se isso é bom ou o ruim. Pensando pelo lado.do presente sem garantia de futuro, é aceitável. Agora, pensando sobre um futuro em que tudo vai piorar de forma gradual lança incertezas grandiosas sobre como ela, a ...

Antes e depois

Momento  O sabor amargo no fundo da boca, prazer incessante que corta o torpor. Maneira obscura de perceber quem vê, recanto obsceno do próprio querer. Suspirando por mais sempre sendo intenso, renovando as forças em um novo querer, subindo o sentido daquilo antigo, Revirando o motivo do que pode ser. Pós  O brilho nos deixa, cintila intenso. Momento propenso, sempre claro, comum. As cores emergem mesmo na escuridão tátil, Sempre vistas unidas ao que era um. Sensação amorfa, disforme, que se despede. Livre de amarras se vai ao esmo. Simples formas de ânimo se perdem no toque, Enganadas por fim pelo puro desejo.

Lucidez

Era o momento propício para que ele continuasse a montar os padrões dentro de sua mente. O calor era insuportável, e a noite parecia se arrastar junto com os minutos que nunca passavam. A cada respiração, Carlos lembrava do que deveria fazer. O momento era esse, ele precisava contar aquilo que tinha visto, mas como? A verdade é que nem ele sabia como faria isso. O dia tinha sido intenso demais para que as coisas fizessem sentido e esse era tempo que ele tinha sozinho; um tempo de desespero e confusão. Aos doze anos, Carlos sabia que não era um menino normal, ele pensava demais nas coisas. Tudo que vinha a sua mente era excessivamente detalhado e muitas vezes confuso, e sua visão era afetada por aquilo que ele pensava. O menino podia ver o que quisesse em sua frente, ele só precisava mentalizar o que queria ver. Isso se tornou um problema somente quando ele não conseguia controlar mais as visões, era como se agora todas elas aparecessem sem ser convidadas, não havia mais um cli...