momentâneo
A beleza o surpreendida como sempre, disso ele tinha certeza. Esse era o momento mais alegre do dia pra Danilo, um admirador secreto. Ao avistar sua musa logo na entrada do campus, ele se ajeitou em seu banco e tentou convencer que lia um livro de forma despreocupada; era tudo muito teatral. Mas a verdade é que o alvo de sua atenção nunca havia notado sua presença, era certo que sua atuação não seria percebida.
Era uma tarde daquelas de outono, onde o clima ameno e a luz suave do sol combinam perfeitamente com as folhagens das árvores e as plantas dos jardins. Ela sempre parecia apreciar a subida da rampa de acesso aos prédios. Seus olhos olhavam ao redor, admirando o contraste de cores das árvores que ladeavam o caminho rumo aos blocos. A luz do sol que tinha a intensidade certa, no mês de maio, passava por entre as árvores e iluminava o rosto de sua amada. Era algo lindo de se ver.
Tudo isso se resumia em apenas três minutos, até que ela entrasse porta adentro para alguma aula. A existência de Danilo se resumia aqueles segundos, onde o amor e a alegria eram apenas coadjuvantes da beleza que estava a sua frente. Todos os gestos eram rápidos, mas talvez um dia ela reparasse no menino que lia Foucault e que usava uma blusa preta com o Darth Vader estampado. Um dia ela notaria.
E ele estaria esperando.
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