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Mostrando postagens de outubro, 2023

domingo

 o frio inquietante como fonte da alma cansada  fluindo em meio aos questionamentos do dia que foi vazio e inconstante sem forma e precário. deslizando pela porta vem o calor que, com o coração  agora batendo forte, entende-se como uma forma de volta à realidade .  A respiração ficou sem pressa certamente faz os olhos quererem fechar. O adormecer é iminente. Amanhã (já é) domingo..

visita

 as cores do céu ficaram verde, na verdade já estavam. Desde quando ela engravidara pela segunda vez, o tempo parecia ter colapsado, mas ela não entendia. Enquanto limpava a casa das donas que a chamavam de “preciosa”, ela não parava de olhar os sacos. Aquela quantidade de lixo era muito um indicativo forte de que aquelas pessoas tinham dinheiro para gastar e desperdiçar, isso não era o que acontecia com ela. As crianças às vezes não comeram. Se não fosse a menina, os olhos azuis com tons de verde, pedindo comida o tempo todo. Ela olhou pra trás quando virou na esquina daquela rua, nunca mais iria voltar. Estava decidida. Ultimamente parecia que sua história precisava de revisão. O olhar dos seus filhos aparecia em sonhos durante à noite, era real como uma faca que corta você enquanto prepara o almoço. Mas o céu continuava a ficar cada vez mais verde, mas perto do centro, como que rajadas onde você vê uma melancolia que é própria de quem já sofreu muito. Ela estava ficando sem meio...

o cão e o homem

a cidade já acorda(dou) os passos rápidos passando cada um pensando no destino em volta tudo acontece eles estão dormindo juntos o cão e o homem um abraço que evoca família de fato é isso que são o momento é especial a paz e cumplicidade  os olhos fechados  o toque da pelagem na pele  quando eu voltar eles já terão sumido por onde vão andar, não saberei mas a certeza que fica ao ver os dois é que  estarão unidos apesar de tudo

choking proudly

 sofre tanto sozinho por que silencia? parece estar precisando mas sofre calado ninguém nunca ganhou nada dessa forma é difícil pedir ajuda admitir que fez errado esperar talvez ser perdoado deixar finalmente ser vulnerável  mas não, você preferiu jogar tudo no lixo  só que agora veio renascimento  o que parecia meu fim foi gradualmente mudando, formando novidade alegrias que vieram intensamente belas o tempo me mostrou que eu continuo, mesmo em meio ao que (in)felizmente acaba

raros

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 dadas as condições, é difícil acreditar que alguém acredite nesta ou em alguma cidade. apesar de tudo, esses ainda existem. pessoas que vivem por entre os escombros do que era um sonho, sobrevivendo com o pouco que têm. não é à toa que todos eles parecem parados no tempo, não se movem com a fluidez e a rapidez necessária ao homem atualizado. estão estagnados forçando com algo que já se debate em sua própria existência, essa cidade que há muito se esqueceu de quem é. uma lição talvez estejam ensinando para os outros que passam, que a incerteza do amanhã não os afeta. isso é deveras difícil de acreditar, já que se vê em seus semblantes o passar de décadas e as vicissitudes de muitas almas. vê-los pelas ruas andando não é tão comum, porém as oportunidades que se apresentam revelam mais uma vez a máxima: a cidade oprime o homem até que ele (in)conformado siga seu caminho.