Voltando a pensar
"Nossa! Está chovendo!". Nosso amigo se surpreendeu ao escutar o som da chuva que caía lá fora. Depois de tanto tempo, ele estava de volta. Mais de um ano havia passado e várias coisas aconteceram desde então. Cada dia era uma nova realização e o trabalho parecia ser o certo para a vida do nosso querido amigo. Uns dias eram mais complicados, mas normalmente tudo corria bem e tudo acontecia da forma em que era planejado.
Mas, as noites, continuavam complicadas. Durante o dia, ele sempre fazia o que se sentia com vontade fazer: cantava,conversava , saía e/ou bebia; parecia que os dias sombrios sem esperanças e com aquela estranha presença haviam sumido, mas só parecia. Agora ele se encontrava deitado, mais uma vez, em um quarto maior e mais confortável. Mudou-se daquele apartamento pequeno e passou até a viver bairro maior; os pais estavam orgulhosos. Mesmo assim, nosso amigo ainda não estava tão seguro do que estava acontecendo o tempo todo, ele só vivia cada dia. Ultimamente passara a encontrar-se com muitas meninas, todas elas muito bonitas e inteligentes. Sempre eram as mesmas histórias e as mesmas situações, parecia que tudo se repetia, só o que mudavam eram os rostos.
"Eu preciso lembrar o nome daquela menina", ele pensava. A menina em questão era uma com quem ele havia conversado uma vez no metrô. Ela tinha puxado assunto e havia demonstrado certo interesse, porém, nosso querido amigo não estava em um bom dia. Aos olhos dele, agora deitado em sua cama e sozinho, ela parecia muito especial e única. Sem conseguir explicar exatamente o porquê, ele começou a pensar fixamente nela. Talvez a mudança de cidade oi o trabalho novo tenham deixado ele mais solitário ainda, podia ser isso.
Os dias, mesmo que mais produtivos e com mais sentido, ainda pareciam estranhos e solitários quando ele andava pelas ruas. A noite estava quente e seu corpo estava suado. Ele havia tomado banho, dessa vez. Acordou com o barulho da chuva, e pensando na menina, passou vários minutos acordado. Os últimos meses haviam passado depressa para ele, muitas coisas aconteceram. Ele começou a se relacionar mais com as meninas e a se decepcionar mais também. Porém sempre mantinha a postura de indiferença. Como um bom adulto, não poderia demonstrar interesse tão rapidamente. Muitas vezes, ele mesmo se perguntava porque estava em certos lugares e fazendo certas coisas; não fazia sentido. Toda aquela situação anterior havia progredido para algo que não era bem ele.
"Preciso saber o porquê disso tudo, preciso ir mais devagar." Ao mesmo tempo que ele pensava isso, aquele algo dizia que já não havia mais saída, era aquilo que iria acontecer pro resto de sua vida. Mas, nosso pobre amigo mais uma vez acometido pelos pensamentos, deixou-se levar pelo medo. A voz que ele havia tanto dado ouvido, agora exigia dele uma postura cada vez mais arrojada. "E se eu não conseguir?", "e se isso for demais?", "eu sou esse mesmo?". Muitas dúvidas preenchiam seus pensamentos e ele mesmo não sabia porque estava sentindo tudo aquilo justamente naquele momento. Como que num vislumbre cintilante, ao fechar os olhos ele lembrou parte do sonho que acabara de ter. Ele estava sentado ao lado da menina do metrô,e ao sair, ela deixara cair um pequeno pedaço papel de dentro do caderno. Ele se inclinou e não pôde ficar sem ler o que estava escrito em letras maiúsculas: "NÃO É CULPA DE NINGUÉM ". Ao lembrar disso, nosso cansado amigo conseguiu adormecer. A chuva lá fora, nunca esteve tão forte.
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