visões
Lua acordou naquele dia com uma sensação de desconforto comum ao clima quente. Para ela o verão era a pior estação do ano, com suas enchentes distritais e o calor infernal que matava. Mais uma vez a noite havia sido repleta de pesadelos curtos onde o rosto de sua irmã desparecida passava em flashs diante dos seus olhos. Sentada na cama, Lua olhava ao redor pensando como aquele lugar a deprimia; era um “muquifo” como os antigos diziam. O apartamento em que vivia era localizado em um dos prédios com unidades funcionais construídas pelo governo, o espaço de vinte metros quadrados era apertado, mas era isso ou viver em um cubículo de baixa densidade perto das ruas do centro da cidade baixa. Ela preferia sua unidade funcional. Lua trabalhava como policial havia cinco anos e desde seus 22, sua vida se resumia em correr atrás de traficantes de drogas sintéticas eletrônicas e arrastar cada um deles para a execução humanitária, essa era sua especialidade. Ela ainda não sabia se queria...