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Mostrando postagens de abril, 2021

nuvens de diamante

Muito difícil colocar em palavras Aquilo que não sai pela boca Inunda a pele com lágrimas Deslizando por uma via outra Eles parecem pertencer ao mundo Unidos em ritmos e canções Agora aqui esse ser imundo Sozinho atrás de tantas ilusões Surto que toma conta e enche o peito Derrama as ânsias e provoca dor O olhar não nega o que é direito Queimando por dentro, puro ardor O mundo escurece e as cores somem Pesadas cortinas fecham a visão O sabor enfraquece, os dedos doem Coração massacrado em cama de algodão Sem querer se recompõe e continua a lida Esperando pela próxima agitação Continuando a ciranda da moenda infinda Girando ao centro, esperando redenção No fim um dia tudo isso vai dissolver O tempo passado perdendo o sentido Marcas eternas tatuadas na mente Acompanhando sempre mesmo tendo partido A dor acompanha o silêncio também As rimas de hoje sem eira nem beira Antecipando o dia que amanhã vem Amando alguém mesmo que esse não queira  O sono se instala nos olhos primeiro Suavizan...

ancient

  “Você promete que vamos em direção à lua quando a criança nascer?” – A filha de Sod dos coletores perguntou mais uma vez ao seu amado. Todos os dias de lua cheia eles marcavam de se encontrar no mesmo lugar. Como a filha de Sod era prometida a Oti, eles ainda não podiam estar juntos na frente de todos. O bebê que a menina esperava estava para nascer e a cada dia a ansiedade de Sid, como sua mãe a chamava, aumentava. A aliança entre os coletores da costa e dos agricultores da região dos vales era muito importante, o casal tinha plena consciência disso. Contudo, nesses momentos o que importava era o amor entre os dois. Oti sempre olhava Sid nos olhos e dizia coisas que nem ele mesmo entendia, era o amor falando mais alto. Em quatro semanas o acordo entre os povos seria selado com o sacrifício da primeira criança gerada pelos amantes, esse era o procedimento padrão para que os espíritos das árvores ao norte permitissem bom tempo, colheitas proveitosas e achados preciosos que pod...

a menina e o cachorro

    Ariana sempre passava por aquele caminho nas manhãs de domingo, sempre sozinha. Sua mãe pedia que ela buscasse pão e ela gostava de olhar para as árvores grandiosas que ladeavam a estrada de terra. Ela tinha oito anos e morava com sua família em um bairro residencial de uma cidade pequena. As pessoas ali conheciam seus pais e todos amavam a companhia da menina, especialmente por sempre estar alegre e cheia de curiosidade pelas coisas que via.   O dia estava quente e ainda lembrava o verão que havia terminado há duas semanas, algo comum para o início de Abril. As pessoas que passavam cumprimentavam a menina, que seguia sorrindo e cantarolando uma música que costumava ouvir na escola com sua professora. No meio do caminho, existia uma rua que dava para uma propriedade abandonada e a menina tinha medo daquele lugar. O mato crescido dava a impressão de que coisas se escondiam e isso era o suficiente para fazer com que Ariana não se aproximasse. Ela sempre parava para admi...