nuvens de diamante

Muito difícil colocar em palavras
Aquilo que não sai pela boca
Inunda a pele com lágrimas
Deslizando por uma via outra

Eles parecem pertencer ao mundo
Unidos em ritmos e canções
Agora aqui esse ser imundo
Sozinho atrás de tantas ilusões

Surto que toma conta e enche o peito
Derrama as ânsias e provoca dor
O olhar não nega o que é direito
Queimando por dentro, puro ardor

O mundo escurece e as cores somem
Pesadas cortinas fecham a visão
O sabor enfraquece, os dedos doem
Coração massacrado em cama de algodão

Sem querer se recompõe e continua a lida
Esperando pela próxima agitação
Continuando a ciranda da moenda infinda
Girando ao centro, esperando redenção

No fim um dia tudo isso vai dissolver
O tempo passado perdendo o sentido
Marcas eternas tatuadas na mente
Acompanhando sempre mesmo tendo partido

A dor acompanha o silêncio também
As rimas de hoje sem eira nem beira
Antecipando o dia que amanhã vem
Amando alguém mesmo que esse não queira 

O sono se instala nos olhos primeiro
Suavizando todas as bordas cortantes
O corpo então relaxa em estado de torpor
Ao fechar os olhos, nuvens de diamante.

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