revoada
Os questionamentos sempre estiveram dentro de mim. Vários deles, em uma multidão que revoa como um grupo de pássaros por sobre um prédio que reflete tudo a sua volta. O observador muitas vezes vê as aves que plainam no céu, mas prefere ignorar os reflexos distorcidos que se debatem por dentro da estrutura que é a representação da realidade.
As imagens que aparecem nos espelhos não conseguem se fazer entender, mas pra mim fazem todo sentido. Enquanto os pássaros vão e voltam, os reflexos vem e vão de forma incessante. Suas asas e seus corpos tremem reagindo às superfícies nem sempre tão lisas do vidro, demonstrando uma nova existência que se faz real somente dentro do espelho. É o renascimento daquilo que se vê por fora.
A mensagem que isso traz me faz relembrar da minha essência revolta e questionadora, nunca se contentando com uma resposta pronta sobre o que eu sou. Até que em um momento eu entendo que os reflexos distorcidos nas vidraças de um belo prédio no centro são pura obra do acaso, mas que incorporam o meu eterno estado de revoada em mim mesmo.
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