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Mostrando postagens de junho, 2020

Desamparo

Choro. Por que o sentimento é de perda. Algo que não consigo colocar nas palavras. Sinto demais,  sempre foi assim. Por que? Derrubado mais uma vez, mais um momento de fraqueza. É difícil suportar, por que me atinge tanto? Espero. Mas nada vem, nada. Seria bom se aquela criança estivesse junto a mim. Aquela que fui um dia.  A que queria ser amada, aprovada, vista com bons olhos. Eu não sei onde ela está, mas deve estar perdida... Eu sei o que tenho que fazer, sempre soube. Choro. Espero que a criança me ensine o caminho de volta pra casa.

nothing excites me anymore

Numb to the rest of the world On the top of a pile of dead leaves Turning the pages of a book without words Holding on to nothing but emptiness Insisting on the idea of humanity Never considering the circumstances Going for a walk on the streets of my skin Ending all the pain with a graceless smile XOs never being enough Counting the minutes to stay in silence In the night so cold in a room so far Taking too much but not giving anything Except for the price soon I'll be paying Saying the words I have to My feelings on the other side of the room Extremely hard watching myself go All things are too simple Nothing excites me anymore You gotta be wondering May I stay or should I leave? Oh, I see ... Really, I don't care.. End.

Deriva

- Aqueles ratos de novo. Destruíram toda a fiação e ainda causaram um curto. O pai parecia estressado, era a quarta vez que isso acontecia em menos de dois meses.  - Pai, eu não tô me sentindo muito bem hoje, acho que dava pra você ir sozinho... - eu disse, tentando me livrar do trabalho. - Que sozinho o que! Dá muito trabalho trocar toda a fiação, da base até a entrada das terras Junhém. Você vai! - com meu pai não tinha conversa.                                                             Trabalhamos juntos na manutenção das partes externas dos servidores de Junhém - Um dos últimos condomínios de altíssimo padrão que existem no estado - e mais uma vez os ratos causaram um curto após roer os fios. A região do entorno está cada vez mais cheia de lixo e a infestação de ratos já está chegando ao bairro fortificado. A população de casas ...

Assistente virtual

Helena, uma mulher solteira e com seus 29 anos, recebia propagandas em seu celular com frequência, só que isso às vezes a incomodava profundamente. Viver online passou a fazer parte da sua vida desde a adolescência. Redes sociais, contatos de trabalho, comunicação via e-mail... a lista era longa. Um mal que na verdade ela estava disposta a relevar, por um bem maior: a sobrevivência em tempos modernos.  Os algoritmos trabalham no aperfeiçoamento da experiência do usuário, é o que as empresas sempre dizem. A contadora sabia que isso era verdade, mas em parte, duvidava das intenções das grandes corporações. Trabalhando com números o tempo todo,  Helena entendia como cifras constituem parte principal para qualquer negócio, inclusive no mundo virtual. Talvez os cálculos realizados pelas máquinas também fossem utilizados para que os indivíduos permanecessem dentro do ambiente digital. Marketing digital era o presente e o futuro da propaganda. Pela manhã, Helena sempre lia sobre jard...

Em extinção

Imagem
Como um animal que não percebe a passagem do tempo, existe uma raça que está prestes a ser extinta. Na verdade até mesmo pássaros e ursos sabem quando as estações provocaram mudanças, sendo inexplicável a insistência dessa raça em não admitir o que se vê. A fúria impensada e injustificável se faz perceptível em cada ato. Outros, que essa julga ser inferiores, observam sem acreditar tamanha boçalidade.  Mas na verdade é sim como um animal acuado, com medo, que não sabe onde está e nem pra onde vai. É um desespero que faz gritar e bradar em alto e bom som: "F*CK OFF!"; apenas para que uma pessoa, que só fez existir, saísse de seu caminho. Esse grupo é extremo, baseado em ódio e raiva. Eles não sabem quem são os que eles atingem, e se sabem, não se importam. São loucos, como bichos, que agem por instinto, espumando sua ira. Ela se debate, tensa, premeditando um próximo golpe.  Inútil, em vão.  Na verdade nessa selva onde ela vive (Nova Iorque), com tantas outras espécies, el...

Transmissões ao vivo

Se infiltra no sistema como um veneno, Que corrói sem ver, alcançando cada parte. Limita o pensamento, Cerceando a racionalidade. Constrói barreiras e também destrói a arte. Destrói certezas com bases na opinião, Todas elas criando um enorme abismo. Despedaçando a verdade e a tornando obscura. Desaprendendo a lógica, o padrão sendo agora, A loucura do achismo. Loucura essa comum, Mas não se enxerga como tal, independente do que seja dito. Um ponto de vista, e é isso. Isso estando acima do que é concreto. O que foi transmitido, ingressando os pátios do Divino. Tomado como santo, sacro, puro. Confundindo a muitos, atingindo a todos e ainda por cima rindo. Todos perdidos, desencantados. Terminando sós, Em um sistema contaminado pela mentira, como um emaranhado.

dormente

Eu respiro e consigo viver. À espera de algo que eu possa, então,  Simplesmente entender. Envolto em pensamentos sorrateiros e unânimes. Aqueles que me lembram que eu sou, Exatamente durante todo o instante. Ciclo venenoso que é suave e de muitas cordas. Se distância, mas está aqui, sempre,  Escancarando todas as portas. Inundando o caminho de incertezas secas. Contornando o instinto, apontando todas As suas fraquezas. Fratura exposta, símbolo de humanidade. Saiba que estou disposto, a viver como um só, Sabendo dos efeitos e da maldade. Sozinho me encontro olhando pra dentro. Estando outrora plantando em muitos cantos, Colhendo agora muito vento.

Ovos de formiga

 Gustavo trabalhava em um mercado no centro da cidade como estoquista, das duas da tarde até às dez da noite. Ele chegava em casa sempre muito cansado e com vontade de se jogar na cama. Não o fazia de imediato por que sabia que ir dormir sem tomar banho era algo visto como 'porcaria'. Morando sozinho há dois anos, ainda era comum sentir os olhos de sua mãe observando suas atitudes. Ele sentia falta de casa. Muita falta mesmo. Admitir isso seria uma derrota que não estava disposto a aceitar tão cedo.  A casa que ele alugava era na verdade um espaço com dois cômodos; um quarto/sala/cozinha e um pequeno banheiro. O lugar fazia parte de uma casa maior, em uma rua calma, de um bairro popular e afastado. O preço era o que Gustavo podia pagar e isso era o suficiente para que ele se sentisse um adulto formado. Ser independente revelou-se uma aventura enorme, principalmente quando a Vanessa, sua querida ex-namorada, decidiu ir embora levando o fogão, a mesinha onde eles comiam e o colc...

você (eu)

Esse sou eu. Eu Eu sou esse quem eu não conheço Conheço que não sei quem é esse Surpreendente como é fragilizada a estrutura Se rompe com curto esforço Um rio de lágrimas flui e rompe Mas tudo escuro vem Palavras intensas saem O OLHAR DE MEDO como pôde? "Não conheço a esse quem dizem que sou!"  Sou eu?! A força desmedida exercida por cima da vontade Os olhos, com seu brilho opaco e suas vistas já cansadas, lá no fundo dizem: "QUEM É VOCÊ?"

EXPLOSÃO

Um vermelho conhecido se coloca a sua frente O que você faz? Corre. Durante um tempo sim, corre. Depois se cansa de correr. Está errado em se cansar ou é errado correr?. Por que está ali, não tem pra onde ir... Cansa correr. Cansa esperar. Esperar, esperar, esperar, esperar -continuar esperando- esperar, desesperar. Choro depois de um tempo vem fácil. Lide com isso. "É pau, é pedra". O fim do caminho no fim da noite. Como se nada tivesse acontecido. Ciclo. De novo, de novo, de novo e de novo. Gritos demonstram falta de tato. Tato não, amor. Falta amor. EXPLOSÃO.  RUPTURA. O VERMELHO VOLTA. a reação vem... Ela veio. Parece que não aconteceu, mas aconteceu. Agora já foi.  Um vermelho conhecido se coloca a sua frente Vai fazer o que?

presença

Essa presença sempre foi ausente De carinho, de amor, de olhar Olhar de cuidado Afeto que é necessário Toque inexiste, sentimento de solidão Precisa-se de cura Simplesmente estar presente Não alcançou o que se desejava O que sempre foi e sempre será Amor, carinho, afeto, cuidado Palavras depois de um tempo Momentos que já passaram/rão O olhar enfim se cansou A busca infindável termina Por que contestar? Por que resistir? Aceitar. Continuar. Lidar. Como lidar com a falta de OLHAR?

Taken away

“ We were born to be the leaders of our world ! ”. Those words were in her mind, again. She was walking to the only well in the village where they lived in – a place so dry that the trylons had to walk miles to get to it. It was silent and hot and there was no sound of any animals around. The weigh of the bucket made her angry and got her thinking once more about how degrading it felt. She used to be the beloved princess of her people and her father was a powerful man who lived on the dark side of Arix . The trylons of that village knew she was an outsider and every day was long and painful for her. All of it felt humiliating, as if that place was n’t meant to be her home. Voryx was pulling the rope with all her strength but the bucket was so heavy she could not breathe. The air in her lungs would come in like a fire every time she was in a rage. She hated that sense of disability, the fact that her emotions were always overwhelming and would transform herself in a thing even her...